quinta-feira, 9 de julho de 2009

Luana





por Vertigo


Quando ela surgiu naquela visita surpresa eu não pude esconder minha satisfação. Bateu à porta e, vendo-a apenas encostada, entrou pedido licença com sua meiguice habitual. Beleza singela, traços simples, jeito harmonioso, características talvez até conseqüentes de uma profunda admiração que eu tinha por Luana, mas o que fazer? Ela não era minha. Queria que fosse, por tudo no mundo, eu queria sim. Pensava que minha perna fissurada não seria fato importante que pudesse fazer com que aquela esmeralda morena me visitasse, mas ainda assim ela lembrou. Perguntei por Lino, meu amigo que, casualmente, e por infelicidade minha, era também seu namorado.


‘A verdade deve ser dita sempre, machuque a quem machucar’. Esse era um ditado que eu não amparava. Se acreditasse diria ali mesmo: “termina com ele, fica comigo porque esse é o nosso destino! Dizer ‘te amo’ agora seria diminuir meu sentimento por você, pois o que sinto vai muito além de amor, vence o desejo e ultrapassa a vontade”. Falaria isso porque essa seria a minha meta, minha obstinação, o meu sentimento real que não pode ser descrito em frases soltas ou mesmo figurar preso em frugais poesias de amor.


- Terminamos.


Seria uma brincadeira torturante? Não era. Ela explicou os motivos da ruptura, mas eu não ouvia mais nada. Suas palavras viraram canções nos meus ouvidos, sendo que cada letra dita era algo bom, gostoso de ouvir. O que você vê nessa menina, André? O que ela tem demais? Doce. Esse era o aroma de Luana. Maravilhosa. Característica inerente a ela. Mulher diferente. Suas ações e atitudes, completas, não-hipócritas, sensatas, intuitivas, visitando um cara com a perna quebrada, amigo de ‘oi, tudo bem?’, esbarrão nas ruas. Encontros que nada acrescentaria à sua vida. Mas ela não mensurava ganhos ou favores, para ela o melhor era a felicidade alheia, e para mim a felicidade era ela.


Beleza? Seria fácil falar sobre como linda é Luana, só que seria um equívoco essa banal avaliação estética. Um engano, pois Luana, ela própria, era um adjetivo, uma unidade que qualificava qualquer lugar, qualquer situação. Onde Luana estivesse esse lugar era perfeito, o mais bonito do universo! E ela estava em minha casa agora.


- Ele disse que não adiantava ficar comigo porque quem gosta mesmo de mim é você, André. E não havia motivo para ficarmos juntos, não havia soma.


O Lino tinha razão. Muito mais que isso. Ele tinha plena sabedoria, pois ela era meu sonho, minha realidade, muito mais que conhecida, colega, amiga de todas as horas. A menina pergunta se estou bem, se sinto dores. Dor. Sentimento fácil de ser sentido sem ela ao meu lado.


- Eu não sei se estou bem. Sem você é difícil ficar bem, mas é tão difícil admitir isso.


Ela se agachou perto da cama onde eu repousava se aproximando do meu rosto, e viu por meus olhos, paradoxalmente sofridos e felizes, que não tinha como não ser verdade. Seus lábios tão próximos aos meus não poderiam fugir. O fêmur rachado tentou doer quando me inclinei para senti-la, mas isso também não importava mais. Ela fechou os olhos e correspondeu. Sua língua e sua boca eram quentes, muito mais gostosas do que eu poderia supor. Uma conhecida de tanto tempo, talvez nem tão íntima ou, quem sabe, nem tão distante, e que tempo perdido... não era para ser amiga. Era para ser Luana.


- Quero sua cura – afirmou ela ingenuamente sem saber que minha cura era ela mesma. Tudo sem ela era ferida, a perna, os pulmões, o coração.


Luana, diante de mim, começou a incomodar os botões de sua blusa, fazendo com que saíssem de suas casas. O mundo parava enquanto eu podia vislumbrar seu colo aparecendo, mostrando o contorno dos delicados seios. Logo eram eles próprios quem brotavam alegres, intumescidos por uma excitação sincera, fruto de um desejo que ela também nutria por mim. Seu ventre não era só belo, era desejável, um encanto, particular luxúria de uma menina de quinze anos. Os pelinhos finos e loiros formavam um singelo e sensual caminho que se iniciava pouco acima de seu umbigo e descia.


A imagem da estreita e delicada cintura juvenil de Luana me causava dor quase física de tesão. Sua saia pediu às suas mãos que abandonasse suas pernas e também deixasse livre o quadril, no que foi atendida de forma gradual. Calcinha rosada, fina, pequena, carinhosa, era a única coisa que Luana ainda vestia. Girou sobre seus pés como se interpretasse uma suave dança, apresentando-me o paraíso de seu corpo. Inacreditável. Surreal. Magnífica. Poderia escolher qualquer uma dessas definições para aquela bunda que ainda assim não representaria de maneira fiel o que eu via. Tesuda, convidativa, especial, minha. Sim, era minha. Elevei a mão e toquei aquela carne de formato explicitamente redondo e firme. Senti que meu pau iria explodir se continuasse alisando indiscriminadamente aquela superfície branca, ligeiramente bronzeada. Ela arqueou o corpo para frente, empinando a bunda ainda mais em minha direção.


- Sou toda sua – brincou, sabendo que minha tara sofria o limite de minha enfermidade.


Mas, de verdade era seu afã. ‘Sou sua’, sim, de mais ninguém. O afã de pueril malícia combinava com nossas vontades. Comprimi meus olhos e tentei voltar a respirar. Lacrimejei. Logo Luana voltou-se para mim e, agachando-se ao meu lado, ofereceu seus lábios para um novo beijo, o beijo de minha vida. Seu sabor, após aquela espetacular e ao mesmo tempo singela perfrmance havia se intensificado ainda sobremaneira.


Suas mãos passaram a deslizar sobre a perna, não se intimidando com a tala imobilizadora. Subiram livre até minha virilha escondida pelo pijama. Aquela malícia adolescente de Luana me deixava em estado de êxtase. Ela sabia excitar sem parecer uma putinha burguesa. Ela brincava de tesão, sorria ao tempo em que tocava meu pau. Sua liberdade comigo encontrava resposta franca e isso a impulsionava, criava-lhe volúpia. Naquela hora não havia ninguém em casa. Mas sozinho na verdade eu estava desde muito tempo. Mesmo acompanhado a solidão de Luana era sempre minha companheira. Agora ela estava ali, perto, inteira, disponível, imaculada. Ela nunca havia sido realmente de ninguém, nem do Lino nem de quem se masturbava com sua imagem na mente. Em todo momento ela mostrava que era minha e que foi o tempo divino que decidiu quando isso seria fato. Toda mulher sabe quando é visceralmente desejada, e ela meu mais profundo desejo.


Seus cabelos amendoados brincavam com seu sorriso. Ela não falava nada e não precisava. Repousou a cabeça sobre meu abdômen, ouvia discretamente meu coração, que batia em descompasso, amarrotado por uma estupenda alegria. Luana. Seus lábios quentes não me faziam delirar porque em delírio eu já estava desde quando a vira. Por certo a melhor definição para o que ela fazia com sua boca era o silêncio majestoso das sensações, dos ruídos e palpitações. Quando seus lábios tocaram a glande quase surtei, insano. As gotas de pré-lubrificação já saiam em profusão, suplicando que ela albergasse meu pau com sua ternura mística, sensual. Ela, então, mamou gostoso como eu jamais poderia conceber. Sua boca ia e vinha, saliva preciosa que aconchegava meu prazer e desmentia a inocência daquele rosto angelical. Por cima, dava beijos, capturando-o com os lábios, por vezes envolvendo a base com a língua. Pensei se tratar de um sonho, o melhor deles. Mas minha mente não teria capacidade para tamanho capricho criativo.


Calmamente, com uma suavidade indisfarçável, ela eliminava toda a minha dor como um anjo ou muito mais que isso. Um sentimento profundo de prazer, denso em sua essência naquela comunhão de sentidos, gritou desesperadamente dentro de mim. Gozo intenso, rasgado, único. Luana.

Engana a loucura,
Depura a dor insana,
Longe dela, tortura,
Perto, minha cura. Luana.
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Um comentário:

  1. Muito bom Léo. Conto sutil e envolvente. Gostei muito. Parabens.

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Néon


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