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domingo, 7 de junho de 2009

As libertinagens e depravações de uma Dona de Casa recatada


Ninguém sabia da onde viera aquele homem. O dono da padaria da esquina dissera apenas que era novo na cidade. Em uma pequena cidade com apenas 4 mil habitantes, um homem daqueles era logo notado pela população local.

O desconhecido havia chegado a cidade de moto, uma moto suja e feia, assim como suas roupas e sapatos. Uma calça jeans, acinzentada pela poeira da estrada, pregada em seu corpo destacavam suas coxas grossas e o montinho que se formava na frente. Uma jaqueta de couro suja e fedida e uma mochila que carregava sempre às costas formavam seu mundo exterior.

Ao entrar em casa levei às compras a cozinha e pensei no estranho homem. Ainda teria que fazer o jantar do marido e das crianças que se encontravam na rua. Pensei nele e em seu montinho e nas revelações daquele pequeno segredo dentro de suas calças. Imaginei se deveria ser grande, parecia grosso do lado de fora. Dava um ar de ser muito usado.Quantas mulheres ele havia usado por essas estradas a fora? Quem sabe quantas donas de casa teriam sido abusadas por ele? Decerto deveria ser um cafajeste usando mulheres casadas para seu prazer pessoal. - Coitados dos maridos... Pensei!

O relógio dava 15 horas da tarde. Tranquei a porta e verifiquei a rua vazia. Fechei as janelas e fui para meu quarto, as crianças e meu marido chegariam ao final da tarde, daria tempo de me molestar um pouco com pensamentos depravados.

Deitada na cama, levantei meu vestido e tirei os seios fartos do sutiã, que pularam como duas bolas pra fora. Os bicos já estavam enrijecidos pelo forasteiro. Sim, eu iria dar para ele! Tirei a calcinha com a ajuda do pé esquerdo, e abri as pernas bem entregue para meu comedor de mulheres casadas. Fechei os olhos e o vi ali na minha frente, sujo e fedido, com aquele volume dentro da calça prestes a comer uma mãe de família, uma pobre senhora esposa e fiel. Coitada de mim, seria devastada por aquele intruso grosso e robusto que agora se encontrava na entradinha da minha gruta úmida e esfomeada.

Ele chegou com vontade e melou a cabecinha do malvado na minha grutinha faminta batendo algumas vezes no meu clitóris carnundinho. Ouvi cada batidinha com gosto e vontade. O intruso então entrou com força me arrancando um grito alto, um grito de puta. Como poderia uma mãe de família gritar como uma puta de rua? Ah... Mas gritei sentindo o robusto dilacerar minhas entranhas, sem pena e com vontade. Levei várias porradas dentro de minha bocetinha carente. Sentia que de certa forma ela merecia tal surra de pênis alheio, pênis desconhecido, pênis não... Era uma rola, a rola do forasteiro.

Cheguei a sentir sua respiração ofegante e quente perto da minha boca e suas mãos amassando meus seios fartos, seio de mãe, de mulher casada, agora sendo exposta como as putas do puteiro da Rua Carlota Joaquina. Aquelas mulheres indignas de serem mulheres casadas, que ficavam a rua a mercê dos taxistas e motorista de ônibus, dos maridos infiéis que só realizavam suas fantasias com as putas de rua. Todas aquelas mulheres que recebiam diversas e sortidas pauladas no ventre todas as noites.

Quanta injustiça daquelas vagabundas, todas levando rola enquanto eu, uma dona de casa fiel ao lar e ao marido tinha que ser respeitada pelo meu marido. Agora me via exposta e entregue aquele motoqueiro sujo, de pau carnudo, veiúdo e cabeludo, cheirando a pica suja e esperma. Eu, mãe de dois filhos levando rola daquele jeito como se fosse uma putinha de rua.
- Ai... Come... Bradei alto e bom som.
- Te Como! Pois mereces levar ferro para deixares de querer ser o que não é. Disse agressivo.
- Mereço sim! Come essa dona de casa que nada tem a não ser um pênis comportado e posições respeitosas. Me come como as putas devem ser comidas! Gritei alto para ouvirem todos, os vizinhos, a família, meu marido.
- Como sim! Para saberes como uma mulher tem de ser comida!

E levei todas as estocadas merecidas que uma mulher com aqueles pensamentos e desejos tinha de levar. Próxima do gozo, tirei os dedos molhados de dentro da minha vagina e cheirei para sentir o cheiro de mulher no cio. Voltei os dedos para dentro de minha xotinha e fechei os olhos voltando a projetar entre minhas pernas a imagem do motoqueiro selvagem.

Mais algumas estocadas e dizeres sujos e gozei gostoso, abrindo as pernas bem para o alto e rebolando o quadril na cama enlouquecida pelo orgasmo que acabara de ter. Como necessitava de uma boa dose de sexo. Mas minha condição não permitiria... Descansei as pernas abertas na cama e olhei para ela, ali melada e necessitada de rola...

- Coitadinha! Pensei batendo com os dedos no pequeno pedacinho de carne rosada na entradinha de minha xota esfomeada.

Após alguns minutos, levantei e fui fazer o jantar, logo todos chegariam com fome. Fechei as pernas, abri as janelas e segui para meus afazeres domésticos de boa dona de casa.

A noite, meu marido e as crianças, João de 12 anos e Carlos de 8 assistiam televisão depois do jantar enquanto lavava e arrumava tudo para o café da manhã do dia seguinte, a costumeira rotina que se repetia inevitavelmente todos os dias.

Passei a noite olhando para o pênis de meu marido, como queria sentir-me mulher com aquele ferro cravado dentro de mim... Mas não , meu marido não ousaria me tomar como mulher, mas apenas como... Como sua mulher, mãe de seus filhos. Havia me casado com um homem machista que conhecia o prazer e a vontade de uma mulher fazer sexo somente em putas e prostitutas. Uma mulher casada rebolar no pau de um homem e pedir rola seria para ele motivo de desrespeito e desvalorização.

Vinda de família conservadora, acostumei-me às mentiras culturais e sociais do machismo ainda existente. E reprimi-me por todos aqueles anos. Sentindo apenas um homem em cima de mim, rebolar e me tomar como carne morta. O famoso “papai-e-mamãe” houvera me aniquilado como mulher. Envolta em tais pensamentos peguei no sono desejando sentir o pênis de meu marido dentro de mim.

Pela manhã após o café da manhã, levei as crianças para a escola e me despedi de meu marido com um beijo nos lábios e uma vontade de descobrir seu sexo com o paladar.

Após deixar as crianças na escola passei na pracinha para ir até o mercadinho do Sr. Assalto, ops, do Sr. Adalto, sempre errava o nome do local. Ao entrar no mercado ouvi o barulho de uma moto, corri para ver se era meu forasteiro. E sim, era ele. Pensem na minha alegria ao vê-lo entrar e passar por mim indo para as prateleiras de bebidas. Bem confesso que senti um tremor percorrer meu corpo ao vê-lo passar por perto de mim. Afinal, ele havia me comido no dia anterior... Ah se ele soubesse o que havia se passado em sua homenagem... Fiquei ali olhando as verduras e com medo de me aproximar mais, embora não me perdoasse caso ele fosse embora sem trocar um único esbarrão com ele.

Apreciei a vista e olhei para seu montinho preso na calça suja e velha. Pensei no cheiro que aquilo ali teria, como seriam os bagos, se haveria veias grossas ou finas, se os cabelos seriam finos e poucos ou encaracolados e muitos. Se os bagos seriam grandes e se caberiam em minha boca... Ah se ousasse... Ah se a coragem batesse... Pensava olhando-o de soslaio.
- Dona Narceja! Chamou seu Adalto.
- Sim... Disse meio assustada, com medo de alguém ter lido meu pensamento.
- A senhora precisa de ajuda?
- Não senhor, obrigada. Disse apressada, querendo pegar as compras e voltar pra casa. Quando, nesse momento o forasteiro se aproxima de mim e pergunta se conheço alguma oficina por perto.
- Não senhor, não conheço, do que precisa? Perguntei tímida.
- Já perguntei pra todos daqui da cidade, preciso de uma peça pra meu possante. Disse se referindo a moto.

Lembrei desse momento de uma moto antiga que meu marido tinha na garagem, uma moto bastante velha que havia sido de seu pai, e de súbito, sem pensar ofereci ajuda :

- Meu marido tem uma moto antiga, que não mais usa, o senhor poderia olhá-la e se tivesse a peça poderia negociar com ele... Ele chega a noite. Disse aliviada e espantada da minha coragem.
- Isso seria ótimo. Posso ir ver agora? Perguntou.
- Meu marido não está em casa, mas o senhor pode ver sim. A noite, caso lhe agrade, poderão negociar o preço da peça.

Peguei rapidamente uns tomates e coloquei no saco plástico indo pagar no caixa, apreensiva de minha audácia desconhecida. Seu Adalto recebeu o dinheiro e olhou desconfiado para mim ao me ver saindo com o forasteiro, que caminhava ao meu lado empurrando a moto e me seguindo.

Um certo orgulho me tomou por inteira de estar ali andando ao lado daquele estranho motoqueiro. Já pensou se as outras donas de casa me vêem? Como teriam inveja, decerto pensariam que me tornei amiga dele, mas o melhor era a dúvida de se ele estaria me comendo, ou um pensamento alheio que fosse ... Ah... Como seria bom se fosse verdade.

Alguns quarteirões e avistei a minha casa, mostrando para ele onde se encontrava. No caminho ele me disse que estava de passagem pela cidade e que seu destino era Santa Catarina, onde morava uma tia que o receberia. Perguntei como era viajar de moto pelo Brasil, se não sentia, vez por outra, solidão. Ele respondera que sim, sentia falta de mulher:

- Oh bicho bom! Disse sorrindo e pedindo desculpa ao ver meus olhos baixos e o rubor de minhas bochechas.
- Sem problema...Eu sei que os moços da capital dizem essas coisas...
- A senhora também é muito moça, bonita se me permite...
- Ah, muito obrigada. Disse abrindo o portão e deixando-o entrar com a moto.

Deixei a sacola que trazia na área e fui com ele até a garagem no quintal da casa. Como morava numa casa grande, cercada de alpendre e árvores frutíferas, a garagem que só servia para guardar coisas velhas de meu marido, ficava sempre fechada e esquecida. Os muros da minha casa, altos e cercados de árvores, tornavam-me segura a olhos curiosos de vizinhos fofoqueiros.

- Não consigo abrir, disse em frente a porta da garagem.
- Deixa eu tentar. Disse dando um empurrão na porta fazendo-a abrir em seguida.
- Ai está senhor...
- Me chame de Samu, dona...
- Narceja.

Samu avistou a moto e foi até lá olhá-la e examiná-la enquanto fiquei na porta com medo de entrar na garagem sozinha com aquele desconhecido, que apesar de simpático, não passava de um forasteiro. E acaso ele me violentasse? Isso sim seria bom... Pensei.

Após examinar com cuidado Samu disse que infelizmente não poderia aproveitar nada em sua moto, pegou no assento da mesma elogiando o estado da máquina. Percebi que logo ele iria embora e eu perderia a chance... E se contasse a ele os meus pensamentos, e se pedisse ao menos que me deixasse ver seu pênis...

- Quando o senhor... Quer dizer, você vai embora?
- Amanhã! Uma caminhonete vai pra cidade vizinha e já combinei com ele de nos levar. Disse sorrindo se referindo a ele e a moto.
- Bem... Desejo boa sorte... Disse triste.
- Obrigado, agora vou deixar a senhora em paz. Obrigado mesmo assim... Disse já se preparando pra sair...
- Espera Samu... Disse.
- Sim? Perguntou curioso.
- Eu sei que parece loucura, mas tem algo que gostaria de lhe dizer... Sei que não nos conhecemos e gostaria que ninguém soubesse dessa conversa, o senhor poderia prometer segredo?
- Claro, o que houve?...
- Sabe quando pensamos em alguém, ou em alguma coisa e não revelamos... As vezes não vemos a pessoa nunca mais na vida e então perdemos a chance... Já imaginou se fosse revelado tudo o que pensam da gente? Não gostarias de saber o que pensam de você? Perguntei aflita, olhando para o relógio e verificando que ainda estaria sozinha por mais de 4 horas até as crianças chegarem da escola para almoçarem.
- O que a senhora quer dizer com isso?
- Eu gostaria de poder ver... Disse arriscando pela primeira vez. Pelo medo de morrer sem viver nada das minhas fantasias, disse sem pensar em meus filhos ou no meu marido, apenas disse desafiando minha própria covardia.
- Ver... Disse rindo e pegando no volume. Ver... Ele?
- Sim...
- Pode sim, ver e pegar... A senhora quer?
- Você guarda segredo?
- Sim, guardo. Disse desabotoando a calça e tirando um cacete duro e moreno de dentro da calça.
Aproximei-me e fechei a porta da garagem e Samu pegou em minha mão fazendo-me tocar em seu tronco de carne rígida. Peguei meio sem jeito, delicada e sentindo-o pulsar em minha mão pedi para cheirar.
- Posso só dar uma cheirada nele?
- Pode cheirar e pode provar também, dizem que é docinha...

Me ajoelhei pela primeira vez na frente de um homem e ao vê-lo em pé senti-o como a um Deus e aproximei meu rosto de seu sexo e o cheirei tendo a cabeça pelada encostada em minha bochecha esquerda. Samu havia dado um tapinha com seu sexo em minha face e dito : - Prova!

Abri a boca e ele colocou o pênis dentro devagar, senti a quentura do bicho em meus lábios, apreciei seu gosto misturando-se com a minha saliva. Suguei um pouco com pressa, e vontade... Queria que ele fosse embora, já havia passado de todos os limites.

Levantei e pedi que saisse.
– Não sem antes desfrutar de suas carnes.
- Desculpe, é melhor você sair meu marido pode chegar, tenho dois filhos... Pedi levantando-me já arrependida.
- Mas vai levar mesmo assim, rapidinho. Prometo ser carinhoso. Olha como você me deixou? Não cabe mais dentro da calça e só abaixa depois que despejo tudo... Disse me pegando pela cintura.
- Ninguém pode saber... Disse já aceitando e prevendo a rolada.
- Ninguém vai saber ! Amanhã vou embora, é rapidinho e já gozo.
- Tomo remédio... Disse.
- Quer que goze dentro? Gostosa... Vem cá. Disse levantando meu vestido e uma perna junto. Senti sua mão afastando a minha calcinha e encostando a ponta melada de sua estaca no vão de minha intimidade. Jamais havia sido tão usada daquela forma, em pé sendo penetrada... Jamais havia sido mulher em minha vida.

- Vou colocar... Segura tudo. Disse penetrando forte.

Foi a primeira vez em minha vida que senti um pênis em todas as duas dimensões atravessar meus lábios vaginais e ir parar no fundo de minha grutinha. Pude senti as estocadas lentas molestarem meu útero e seus bagos baterem provocando um barulho inesquecível de uma mulher sendo devorada por um macho.
- Ai... Devagar, pedi.
- Como é gostoso te possuir....

Senti aquelas estocadas abrirem as minhas carnes e senti como é ser de um homem sem amá-lo, apenas pelo prazer dos corpos cheguei aonde queria, ao paraíso terreno dos mortais. E cheguei lá de olhos fechados e sentindo-me não puta, mas uma mulher realizando-se como fêmea cravada na estaca de um homem.

- Está gostando? Perguntou.
- Muito... Susurrei em seu ouvido.

E senti seu ferro me possuir intensamente arrancando de mim gemidos e um choro baixinho de felicidade ao sentir a grossura de sua carne me abrir. Mesmo satisfeita apreciava o vai e vem da dança de seu quadril dentro de mim, me balançando o corpo enquanto entupia minha gruta de carne morena e quente.

- Abusa de mim... Me usa... Vai... Disse liberta de hipocrisia.
- Vou estourar essa caverna com meu tronco!
Ele subiu mais minha perna, abrindo –me mais ainda e estocou intensamente pra dentro enchendo-me e tapando-me por completo. Senti minhas ancas rebolarem sem se importarem com mais nada, queria apenas dar e tirar prazer daquele homem, queria meu prêmio, queria seu dilúvio de prazer dentro de mim.

- Agora sente tudo... Disse desfazendo-se em gemidos e gritos masculinos de raiva e agressividade. Foi quando senti a enchente do mar branco e denso encherem minhas carnes e submergirem extravasando-se em minhas coxas abertas e expostas, entregues....

Abaixei a perna que estivera apoiada em seu braço e senti-me mole, exausta e satisfeita. Pedi que se retirasse... Logo meus filhos chegariam e pedi também que guardasse minha privacidade. Samu disse que sim, que guardaria, pois também era casado e nos despedirmos sem beijo na boca. Pareceu-me naquele momento que o beijo não pertencia àquela cena de minha vida. Após sua saída, não senti culpa ou arrependimento, ou mesmo medo de ser descoberta, eu me senti realizada como mulher. Sabia agora o que havia perdido todos esses anos pelo machismo de meu marido. Naquele dia, entendi pela primeira vez a natureza feminina de minha alma, a tênue linha entre a resignação de meus desejos e a natureza devastadora de minha sexualidade faminta e enrustida. Eu me reconheci como dona de meus desejos.

Quanto ao meu marido? Nunca soube do ocorrido, e depois de uma mal e enfadonha explicação sobre o tal motoqueiro que havia vindo ver a moto, passei a tratá-lo com os mesmos cuidados e carinhos de uma esposa dedicada e resignada de seu suplício doméstico.



Ana J. M. M- Narceja

terça-feira, 28 de abril de 2009

O namorado da vizinha- Narceja


Tudo começou quando ela iniciou sua vida sexual, deveria ter uns 17 a 18 anos. Para ser politicamente correto. Mas cá entre nós, ela começou bem mais cedo.
Naquele tempo eu apenas realizava minhas funções fisiológicas, não tinha nenhum outro pensamento ou aspiração. Era alheio as demais funções que poderia exercer.

No inicio, começou com um ventinho de uma visita, que minha vizinha, Dona Boceta recebia. Era Seu Pênis, que sempre a visitava deixando – a de casa molhada. Não entendia muito bem aquela relação, mas parece que ela gostava bastante, pois ouvia um barulho forte que chegava a estremecer as paredes da vizinha logo acompanhado de um grito de nossa dona.
Eu ouvia tudo de perto, morávamos em casas vizinhas, separadas apenas por uma fina parede, o que me permitia ouvir a tudo nitidamente.

Era sempre a mesma história com Seu Pênis. Ele chegava calmo, apenas entrava sem fazer barulho, parecia que andava a passos lentos e leves, devagar. Mas logo, com algum tempo na casa da vizinha, começava de uma hora para outra a baixaria. Pareciam que brigavam, ele esmurrava as paredes e fazia muito barulho. E logo, mais dois amigos dele, se estacionavam à porta de sua casa. Não entravam, mas ficavam encostados à porta dando cobertura a Seu Pênis. Eu acompanhava tudo assustado, omisso de medos maiores. Sentia que após bater em Dona Boceta, Seu Pênis molhava toda a sua casa deixando um líquido grosso e pegajoso, chegando, vez por outra, a molhar as pareder de minha casa. Mas nunca reclamei!

Mal sabia eu que as visitas de Seu Pênis à Dona Boceta era o princípio de tudo! Logo, Seu Pênis, passou a visitar minha vizinha mais frequentemente, passando a bater em minha porta me deixando extremamente assustado com a violência dos socos que dava.

Sabia que Seu Pênis não era flor que se cheirasse, mas Dona Boceta parecia estar apaixonada e nossa dona, Narceja consentia com tudo.

Assim como as visitas de Seu Pênis aumentaram, aumentaram também a violência com que batia em minha porta. As vezes era tanto, que chegava a pensar que arrombaria minha porta e entraria com tudo.

Tentei não pensar nos problemas e me concentrar em minhas funções. Dona Boceta, passou a molhar sua própria casa deixando-a úmida várias vezes por dia. Sentia sua umidade pelas paredes que nos separavam. Confesso, que passei a me acostumar a conviver com minha vizinha. Nunca fui de reclamar mesmo.

Um dia, Seu Pênis chegou acompanhado de mais 3. Além dos dois guardas-costas que sempre trazia,trouxe mais um, fino e magro. Que passou a bater em minha porta devagar e com jeitinho, fazendo-me abrí-la e recebê-lo. Ganhando assim minha confiança.

Ele era simpático e muito cortês. Vez por outra, dançava em minha sala, dessarrumando toda a casa. Sua alegria me contagiava, apesar da bagunça que fazia e eu como sempre, não reclamei. Se chamava Seu Dedo.
Inocente, não percebi que as visitas de Seu Dedo à minha casa era um plano maligno de Seu Pênis para invadir minha residência.

E isso realmente aconteceu, alguns dias depois das primeiras visitas de Seu Dedo.
Ouvi naquela noite quando seu Pênis chegou à casa de Dona Boceta. Já esperava então, que Seu Dedo viesse com ele para me visitar. Esperei na porta e foi dito e feito! Seu dedo bateu na porta, como de costume e a abri recebendo-o em meu humilde lar.

Conversamos um pouco enquanto sentia as paredes umedecerem sem explicação alguma. Dona boceta, levava as porradas de sempre de Seu Pênis, e eu me distraria com Seu Dedo, quando...Não mais que de repente, ouvi um silêncio de segundos na casa de Dona Boceta, e não senti que Seu Pênis havia deixado seu rastro pegajoso. Alguma coisa estava estranha naquele silêncio todo!

Não dei pela saída rápida de Seu dedo. Nem deu tempo de notar! Vi, apenas a cabeça de Seu Pênis na porta de minha casa. Era a primeira vez que nos encontrávamos. Não o conhecia e não tinha nocões de seu tamanho. Seu Pênis era um gigante! Seu corpo não passou pela minha porta, e ele forçou se espremendo todo para entrar em minha casa.

Fiquei acuado, com seu Pênis tentando entrar em meu lar. Pensei em pedir socorro para minha dona, mas ela parecia chorar um choro baixinho e fiquei calado, assustado... Esperando e torcendo para que Seu Pênis não conseguisse entrar em minha pequena casa.

Ele forçou os ombros e entrou com muito esforço, ganhando pedaço a pedaço de minha casa. Deixando do lado de fora seus seguranças gordos e moles, tapando a saída de minha porta.

Em minha casa, nada de mal fez. A impressão ruim que tinha de Seu Pênis logo foi substítuida e ele se mostrou muito simpático e agradável. Deixando no final da visita um creme denso de cheiro característico, molhando toda a minha casa.

A verdade é, que viramos bons amigos. Dona Boceta sentia ciúmes, mas aceitava nossa amizade que se intensificou conforme o tempo e a frequência de suas visitas. Hoje, confesso, que me apaixonei por Seu Pênis, mas sei que não teria chances contra Dona Boceta. Aceito, como amante que sou, as migalhas de amor e sigo, calado, esperando a próxima visita.

terça-feira, 21 de abril de 2009

O ESTRATAGEMA DO AMOR- Marquês de SADE


O ESTRATAGEMA DO AMOR
por Marquês de Sade
De todos os desvios da natureza, o que fez mais pensar, o que pareceu mais
estranho a estes meio-filósofos que querem analisar tudo sem nada compreender,
dizia um dia a uma das suas melhores amigas a Menina de Villebranche de quem
vamos ter ocasião de nos ocuparmos em seguida, é este gosto estranho que
mulheres duma certa construção, ou dum certo temperamento, conceberam por
pessoas do seu sexo.
Embora muito antes da imortal Safo e depois dela não tenha havido uma só região
do universo nem uma única cidade sem nos oferecer mulheres com este capricho e
embora, perante provas de tal força, parecesse mais razoável acusar a natureza
de singularidade do que estas mulheres de crime contra a natureza, nunca todavia
se deixou de vituperá-las, e sem o ascendente imperioso que sempre teve o nosso
sexo, quem sabe se algum Cujas, algum Bartole, algum Luís IX não teriam
imaginado fazer contra estas sensíveis e infelizes criaturas leis iníquas, como
as que se lembraram de promulgar contra os homens que, construídos no mesmo
gênero de singularidade, e por tão boas razões sem dúvida, julgaram poder
bastar-se a si próprios, e imaginaram que a mistura dos sexos, muito útil à
propagação, podia muito bem não revestir esta mesma importância para os
prazeres.
Deus nos livre de tomar qualquer partido a tal respeito... não é, minha cara?,
continuava a bela Augustine de Villebranche atirando a esta amiga beijos que
pareciam, contudo, um tanto suspeitos, mas em vez de iniquidades, em vez de
desprezo, em vez de sarcasmos, todas armas perfeitamente embotadas nos nossos
dias, não seria infinitamente mais simples, numa ação tão totalmente indiferente
à sociedade, tão igual a Deus, e talvez mais útil do que se acredita na
natureza, deixar cada um agir a seu gosto...
Que se pode recear desta depravação?... Aos olhos de todo o ser verdadeiramente
sensato, parecerá que ela pode evitar maiores, mas nunca se provará que possa
conduzir a perigosas... Ah, justos céus, receia-se que os caprichos destes
indivíduos de um ou outro sexo façam acabar o mundo, que ponham em leilão a
preciosa espécie humana, e que o seu pretenso crime a aniquile, por não proceder
à sua multiplicação?
Reflita-se um pouco sobre isto e ver-se-á que todas estas perdas quiméricas são
inteiramente indiferentes à natureza, que não só não as condena, mas nos prova
através de milhares de exemplos que as quer e as deseja; ah, se estas perdas a
irritassem, tolerá-las-ia em milhares de casos, permitiria, se a progenitura lhe
fosse tão essencial, que uma mulher só pudesse servir para isso durante um terço
da sua vida e que ao sair das suas mãos a metade dos seres que ela produz
tivessem o gosto contrário a essa progenitura no entanto exigida por ela?
Digamos melhor, permite que as espécies se multipliquem, mas não o exige, e bem
segura de que terá sempre mais indivíduos do que necessita, está longe de
contrariar as inclinações dos que não têm a propagação como uso e que se
repugnam de conformar-se a ela. Ah! deixemos agir esta boa mãe, convençamo-nos
bem de que os seus recursos são imensos, de que nada que façamos a ultraja e de
que o crime que atentaria contra as suas leis nunca estará nas nossas mãos.
A Menina Augustine de Villebranche de que acabamos de ver uma parte da lógica,
senhora das suas ações com a idade de vinte anos, e podendo dispor de trinta mil
libras de rendas, decidira-se por gosto a nunca se casar; o seu nascimento era
bom, sem ser ilustre, era filha única dum homem que enriquecera nas índias e
morrera sem jamais a ter podido convencer ao casamento.
Não o devemos dissimular, muito entrava desta espécie de capricho, de que
Augustine acabava de fazer a apologia, na repugnância que testemunhava pelo
himeneu; seja conselho, seja educação, seja disposição de órgão ou calor de
sangue (nascera em Madras), seja inspiração da natureza, seja tudo o que se
quiser enfim, a Menina de Villebranche detestava os homens, e totalmente
entregue ao que os ouvidos castos entenderão pela palavra safismo, só encontrava
volúpia com o seu sexo e só se satisfazia com as graças do desprezo que sentia
pelo Amor.
Augustine era uma verdadeira perda para os homens; alta, feita para ser pintada,
os mais belos cabelos castanhos, o nariz um pouco aquilino, os dentes soberbos,
e olhos duma expressão, duma vivacidade... a pele duma delicadeza, duma
brancura, todo o conjunto numa palavra duma espécie de volúpia tão atraente...
que era bem certo que vendo-se tão feita para dar amor e tão determinada a não o
receber, podia muito naturalmente escapar a muitos homens um número infinito de
sarcasmos contra um gosto, aliás muito simples, mas que privando, apesar disso,
os altares de Safo duma das criaturas do universo mais bem feitas para os
servir, devia necessariamente indispor os sectários dos templos de Vênus. A
Menina de Villebranche ria satisfeita de todas estas censuras, de todos estes
maus propósitos, e nem por isso se entregava menos aos seus caprichos.
A mais elevada de todas as loucuras - dizia ela -, é envergonharmo-nos das
inclinações que recebemos da natureza; e fazer pouco dum qualquer indivíduo que
tem gostos singulares, é absolutamente tão bárbaro como o seria mofar dum homem
ou duma mulher saído zarolho ou coxo do seio da mãe, mas insinuar estes
princípios razoáveis a néscios é empreender parar o curso dos astros.
Existe uma espécie de prazer para o orgulho em rir dos efeitos que não se tem, e
estes gozos são tão doces ao homem e particularmente aos imbecis, que é muito
raro vê-los renunciar-lhes... Isso provoca, aliás, maldades, frios ditos de
espírito, fracos trocadilhos, e para a sociedade, ou seja para uma coleção de
seres que o tédio junta e que a estupidez modifica, é tão doce falar duas ou
três horas sem nada dizer, tão delicioso brilhar à custa dos outros e anunciar
estigmatizando-o um vício que se está muito longe de ter... é uma espécie de
elogio que se pronuncia taticamente sobre si mesmo; por este preço consentem até
em se unir aos outros, em fazer cabala para esmagar o indivíduo cujo grande erro
é o de não pensar como o comum dos mortais, e retiram-se para casa inchados do
espírito que mostraram, quando só provaram radicalmente por uma tal conduta
pedantismo e tolice.
Assim pensava a Menina de Villebranche e muito afirmativamente decidida a nunca
se constranger, rindo-se dos preconceitos, bastante rica para se bastar a si
própria, acima da sua reputação, visando epicuriamente uma vida voluptuosa e de
modo algum as beatitudes celestes nas quais acreditava muito pouco, ainda menos
uma imortalidade demasiado quimérica para os seus sentidos, rodeada por um
pequeno círculo de mulheres pensando como ela, a querida Augustine entregava-se
inocentemente a todos os prazeres que a deleitavam.
Tivera muitos apaixonados, mas todos tinham sido tão maltratados, que se estava
enfim em vésperas de renunciar a esta conquista, quando um jovem chamado
Franville, pouco mais ou menos da sua categoria social e tão rico como ela,
tendo ficado loucamente amoroso, não só não se desgostou com os seus rigores mas
determinou-se mesmo muito seriamente a não abandonar a praça enquanto ela não
fosse conquistada: participou o seu projeto aos amigos, riram-se dele, manteve
que conseguiria, desafiaram-no e ele tentou.
Franville tinha dois anos a menos do que a Menina de Villebranche, ainda quase
nenhuma barba, uma linda figura, as feições mais delicadas, os mais belos
cabelos do mundo; quando o vestiam de moça, ficava tão bem neste trajo que
enganava sempre os dois sexos, e várias vezes recebera, de uns por engano, de
outros conscientes do que faziam, uma quantidade de declarações tão preciosas,
que poderia no mesmo dia tornar-se o Antínoo de qualquer Adriano ou o Adónis de
qualquer Psiqué. Foi assim vestido que Franville imaginou seduzir a Menina de
Villebranche; vamos ver como se houve.
Um dos maiores prazeres de Augustine era vestir-se de homem no carnaval, e
correr todas as assembléias sob este disfarce tão análogo aos seus gostos;
Franville que fizera espiar os seus passos e tivera até aí a precaução de muito
pouco se lhe mostrar, soube um dia que aquela que adorava devia ir nessa mesma
noite a um baile dado por associados da Ópera, onde todas as máscaras podiam
entrar, e que seguindo o uso desta encantadora moça, ela estaria de capitão de
dragões. Disfarça-se de mulher, faz-se embelezar, compor com toda a elegância e
todo o cuidado possível, põe muito pó de arroz, sem máscara, e seguido duma das
suas irmãs muito menos bela do que ele, entra assim na assembléia onde a amável
Augustine apenas ia procurar aventuras.
Franville não dera três voltas à sala quando foi logo distinguido pelos olhos
conhecedores de Augustine.
Quem é esta bela moça? - disse a Menina de Villebranche à amiga que a
acompanhava. - Parece-me que nunca a vi em parte nenhuma, como pôde pois
escapar-nos uma tão bela criatura?
E mal estas palavras são ditas, Augustine faz tudo quanto pode para entabular
conversa com a falsa Menina de Franville que primeiro foge, volteia, evita,
escapa e tudo isso para se fazer desejar mais ardentemente; por fim dá-se o
encontro, as impressões vulgares mantêm de início a conversa que, pouco a pouco,
se torna mais interessante.
- Está um calor horrível no baile - disse a Menina de Villebranche -, deixemos
asnossas companheiras juntas e vamos tomar um pouco de ar nestes gabinetes onde
jogamos e nos refrescamos.
- Ah! Senhor - disse Franville à Menina de Villebranche continuando a fingir
tomá-la por um homem -, na verdade, não me atrevo, apenas tenho aqui a minha
irmã, mas sei que a minha mãe deve vir com o esposo que me destina, e se uma ou
outro me vissem consigo, seria um sarilho...
- Bom, bom, é preciso sobrepor-se a todos esses terrores de criança... Que idade
tem, belo anjo?
- Dezoito anos, senhor.
- Ah! Respondo-lhe que aos dezoito anos se deve ter adquirido o direito de fazer
tudo o que se quiser... vamos, vamos, siga-me e nada tema... - e Franville
deixa-se conduzir.
- O quê, encantadora criatura -, continua Augustine, conduzindo o indivíduo que
julga ser uma moça para os gabinetes contíguos à sala do baile -, o quê, vai-se
casar realmente... como a lastimo... e quem é essa personagem que lhe destinam,
um maçador aposto... Ah, como esse homem será afortunado e como gostaria de
estar no seu lugar! Consentiria em desposar-me, a mim, diga-o francamente, filha
celeste.
- Ai de mim, sabe-o Senhor, quando se é jovem seguem-se os movimentos do
coração?
- Está bem, mas recuse-o a esse homem desprezível, faremos juntos um mais íntimo
conhecimento, e se chegarmos a acordo... porque não nos entenderíamos? Não
preciso, graças a Deus, de nenhuma autorização... embora só tenha vinte anos,
sou senhor dos meus bens e se pudesse inclinar os seus pais a meu favor, talvez
antes de oito dias estivéssemos os dois ligados por laços eternos.
Assim conversando, tinham saído do baile, e a hábil Augustine, que não levava a
sua presa para a envolver nas malhas dum amor perfeito, tivera o cuidado de a
conduzir para um gabinete muito isolado, o qual graças às combinações que fazia
com os organizadores do baile, tinha sempre o cuidado de reservar.
- Oh, meu Deus! - disse Franville, logo que viu Augustine fechar a porta deste
gabinete e apertá-lo nos braços. - Oh, meu Deus, que pretende fazer?... Uma
entrevista a sós, Senhor, e num lugar tão retirado... deixe-me, deixe-me,
suplico-lhe, ou gritarei por socorro.
- Vou retirar-te o poder, anjo divino - disse Augustine imprimindo a sua bela
boca sobre os lábios de Franville -, grita agora, grita se podes, e o bafo puro
do teu hálito de rosa ainda mais incendiará o meu coração.
Franville debatia-se muito fracamente: é difícil mostrar cólera quando se recebe
assim ternamente o primeiro beijo de tudo quanto se adora. Augustine,
encorajada, atacava com mais força, empregava aquela veemência que realmente
apenas é conhecida das mulheres deliciosas seduzidas por esta fantasia.
Em breve as mãos passeiam, Franville representando a mulher que cede, deixa
igualmente vaguear as suas. Toda a roupa se afasta, e os dedos chegam quase ao
mesmo tempo onde cada um deles julga encontrar o que lhe convém... Então
Franville mudando subitamente de papel:
- Oh, justos céus - exclama -, com que então não passa duma mulher...
- Horrível criatura - disse Augustine pondo a mão sobre coisas cujo estado não
pode sequer permitir a ilusão -, dei-me eu tanto trabalho para achar um
desprezível homem... é preciso ser muito infeliz.
-
Na verdade não mais do que eu - disse Franville, arranjando-se e mostrando
o mais profundo desprezo -, uso o disfarce que pode seduzir os homens, amo-os,
procuro-os, e só encontro uma p...
-
Oh, p..., não - disse azedamente Augustine -, nunca o fui em toda a minha
vida, não é quando se abomina os homens que se pode ser tratada dessa maneira
-
Como, é mulher e detesta os homens?
-
Sim, e isso pela mesma razão que o senhor é homem e abomina as mulheres.
-
A coincidência é única, eis tudo o que se pode dizer.
-
É bem triste para mim - disse Augustine com todos os sintomas do mau humor
mais marcado.
-
Na verdade, Menina, é ainda mais fastidiosa para mim - disse amargamente
Franville - eis-me manchado para três semanas; sabia que na nossa ordem fazemos
voto de nunca tocar numa mulher?
-
Parece-me que podem sem se desonrarem tocar numa como eu.
-
Por minha fé, minha bela - continua Franville -, não vejo que haja grandes
motivos para excepção e não acho que um vício lhe possa merecer um mérito a
mais.
-
Um vício... mas é o senhor quem reprova os meus... quando possui outros
tão infames?
-
Olhe - disse Franville -, não nos querelemos, estamos os dois metidos no
jogo, o melhor é separarmo-nos e nunca mais nos vermos.
E dizendo isto Franville preparava-se para abrir as portas.
-
Um momento, um momento - disse Augustine, impedindo-o de abri-las -, vai
divulgar a nossa aventura a toda a terra, aposto.
- Talvez me divirta a fazê-lo.
- De resto, que me importa, graças a Deus estou acima dos murmúrios, saia,
Senhor, saia e diga tudo o que lhe agradar... - E detendo-o uma vez mais -: Sabe
- disse sorrindo -, que esta história é muito extraordinária... enganámo-nos os
dois.
- Ah! o erro é muito mais cruel - disse Franville - para as pessoas com o meu
gosto do que para as que têm o seu... e este vazio causa-nos repugnância...
- Por minha fé, meu caro, creia que o que me oferece nos desagrada pelo menos
tanto; vamos, a repugnância é idêntica, mas a aventura é deveras divertida,
temos de concordar? Volta ao baile?
- Não sei.
- Por mim não volto mais - disse Augustine -, fez-me sentir coisas... desgostou-
me... vou-me deitar.
- Já não era sem tempo.
- Mas tenha ao menos a delicadeza de me emprestar o seu braço até minha casa,
habito a dois passos, não tenho o meu coche, não me vai deixar ficar aqui.
- Não, acompanhá-la-ei de boa vontade - disse Franville -, os nossos gostos não
nos impedem de ser correctos... quer a minha mão?... Ei-la.
- Só aproveito porque não encontro melhor por agora.
- Fique bem certa que por mim só lha ofereço por delicadeza.
Chegam à porta da casa de Augustine e Franville prepara-se para se despedir.
- Na verdade, o senhor é delicioso - disse a Menina de Villebranche -, com que
então deixa-me na rua.
- Mil perdões - disse Franville -, não ousava.
- Ah, como são bruscos estes homens que não gostam das mulheres!
- É que eu - disse Franville, dando todavia o braço à Menina de Villebranche até
ao seu apartamento -, é que eu, Menina, gostava de voltar depressa ao baile para
reparar a minha tolice.
- A sua tolice, sente-se então muito aborrecido por me ter encontrado?
- Não digo tanto, mas não é verdade que podíamos ambos ter achado infinitamente
melhor?
- Sim, tem razão - disse Augustine entrando enfim em casa -, tem razão, senhor,
eu sobretudo... porque receio bastante que este funesto encontro venha a custar
a felicidade da minha vida.
- O quê, não está então bem segura dos seus sentimentos?
- Ontem estava-o.
- Ah! não acredita muito nas suas máximas.
- Não acredito em nada, está a enervar-me.
- Está bem, eu saio, Menina, eu saio... Deus me livre de a incomodar durante
mais tempo.
- Não, fique, ordeno-lhe, poderá uma vez na vida obedecer a uma mulher?
- Eu - disse Franville sentando-se por condescendência -, nada há que não faça,
já lho disse, sou educado.
- Sabe que é horrível de na sua idade ter gostos tão perversos?
- Julga que seja decente de na sua os ter tão singulares?
- Oh, é muito diferente, nós, é recato, é pudor... é orgulho mesmo se o
preferir, é o receio de se entregar a um sexo que só nos seduz para nos
dominar... Todavia os sentidos falam e arranjamo-nos entre nós; se tudo
dissimulamos bem revestimo-nos dum verniz de discrição que muitas vezes se
impõe, assim fica a natureza contente, observa-se a decência e os costumes não
se sentem ultrajados.
- Eis o que se chamam belos e bons sofismas, por esse caminho tudo
justificaríamos; e que disse afinal que nós não possamos igualmente alegar em
nosso favor?
- Absolutamente nada, com preconceitos tão diferentes não devem ter os mesmos
pavores, o vosso triunfo está na nossa derrota... quanto mais multiplicam as
vossas conquistas, mais acrescentam a vossa glória, e não podem recusar-se aos
sentimentos que fazemos nascer dentro de vós, a não ser por vício ou depravação.
- Na verdade, creio que me vai converter.
- Gostaria.
- Que ganharia com isso, continuando no erro?
- É um favor que o meu sexo me ficará a dever e como amo as mulheres, sinto-me
feliz por trabalhar para elas.
- Se o milagre acontecesse, os seus efeitos não seriam tão gerais como parece
acreditar, eu só me converteria por uma única mulher quando muito a fim de...
experimentar.
- O princípio é honesto.
- É que é bem certo haver um pouco de receio, sinto-o, em tomar um partido sem
ter provado de tudo.
- O quê, nunca viu uma mulher?
- Nunca, e a Menina... acaso possuíra primícias tão seguras?
- Oh, primícias, não... as mulheres que vemos são tão astutas e ciumentas que
não nos deixam nada... mas nunca conheci um homem em toda a minha vida.
- E fez uma jura?
- Sim, não quero ver nem jamais conhecer senão um tão singular como eu.
- Sinto-me desolado por não ter feito a mesma jura.
- Não creio que seja possível ser mais impertinente.
E dizendo estas palavras, a Menina de Villebranche levanta-se e diz a Franville
que se pode retirar quando quiser. O nosso jovem apaixonado sempre de sangue-
frio faz uma profunda reverência e apresta-se para sair.
- Regressa ao baile - diz-lhe secamente a Menina de Villebranche fitando-o com
um despeito misturado com o mais ardente amor.
- Claro que sim, já lho disse, parece-me.
- Não é assim capaz do sacrifício que por si fiz.
- O quê, fez-me algum sacrifício?
- Só voltei para casa para não ver mais nada após ter tido a infelicidade de o
conhecer.
- A infelicidade?
- É o senhor que me força a servir desta expressão, só do senhor dependia que eu
usasse uma bem diferente.
- E como conciliaria isso com os seus gostos?
- O que não abandonamos nós quando amamos!
- De acordo, mas ser-lhe-ia impossível amar-me.
- Isso sucederia se conservasse hábitos tão horríveis como os que em si
descobri.
- E se renunciasse a eles?
- Eu imolaria imediatamente os meus sobre os altares do amor... Ah! pérfida
criatura, como esta confissão custa à minha glória, e tu acabas de ma arrancar -
disse Augustine em lágrimas, deixando-se cair numa cadeira.
- Obtive da mais bela boca do universo a confissão mais lisonjeira que me seria
possível ouvir - disse Franville precipitando-se aos joelhos de Augustine. - Ah,
querido objecto do meu mais terno amor, reconheça o meu fingimento e digne-se
não o punir, é a seus joelhos que imploro a graça e aí ficarei até ao meu
perdão.
- Vê junto de si, menina, o amoroso mais constante e mais apaixonado; julguei
necessário este estratagema para vencer um coração cuja resistência conhecia.
Consegui, bela Augustine, recusará ao amor sem vícios o que se permitiu deixar
ouvir ao apaixonado culpado... culpado, eu... culpado do que acreditou... ah!
acaso supunha que uma paixão impura pudesse existir na alma daquele que só por
si se sentiu incendiado.
- Traidor, enganaste-me... mas perdoo-te... todavia nada terás para me
sacrificar, pérfido, e o meu orgulho será menos lisonjeado, está bem, não
importa, por mim sacrifico-te tudo... Vai, renuncio com alegria por te agradar a
erros a que a vaidade nos arrasta quase tanto como os nossos gostos.
Sinto-o, a natureza vence, abafava-o com extravagâncias que agora detesto com
toda a minha alma; não se resiste ao seu império, ela só nos criou para vós, ela
só vos formou para nós; sigamos as suas leis, é pela própria voz do amor que ela
mas inspira hoje, não me serão por isso menos sagradas.
Eis a minha mão, senhor julgo-o homem de honra e em condições de me pretender.
Se pude merecer perder um instante a sua estima, à força de cuidados e de
ternura repararei talvez os meus erros, e forçá-lo-ei a reconhecer que os da
imaginação nem sempre degradam uma alma bem nascida.
Franville, todos os seus votos satisfeitos, inundando com as lágrimas da sua
alegria as belas mãos que beijava, ergue-se e precipitando-se nos braços que se
lhe abrem:
- Oh dia mais afortunado da minha vida - exclama -, nada existe de comparável ao
meu triunfo, reconduzo ao seio das virtudes o coração onde vou reinar para
sempre.
Franville beija milhares de vezes o divino objeto do seu amor e separa-se; dá a
conhecer no dia seguinte a sua felicidade a todos os amigos; a Menina de
Villebranche era um partido demasiado bom para que os seus pais lho recusassem,
desposa-a na mesma semana. A ternura, a confiança, a discrição mais escrupulosa,
a modéstia mais severa coroaram o seu himeneu, e ao tornar-se o mais feliz dos
homens, teve a sabedoria suficiente para fazer da mais libertina das moças a
mais prudente e a mais virtuosa das mulheres.



Escritora convidada: Narceja

Néon


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