terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Dancing Days



Bailinhos nas garagens. Meninas dançando umas com as outras, treinando poses. Eu, futuro objetinho à mostra para ser usado. Os meninos encostados na parede, olhavam. Os tímidos, só olhavam. Futuros canalhinhas tomavam coragem. E você era um tímido e só se mostrava pra mim.

Toninho me chamou para dançar. Era sempre ele. Perdi a conta de quantas vezes namoramos, terminei, e reatamos. Eu começava a gostar de outro e dizia que não queria mais namorar. Quando o via um dia na rua, deixava de gostar do menino ( talvez um deles tenha sido você ) e fazia charme. Ele se aproximava e pronto, lá estávamos nós de novo nos bailinhos da rua da minha infância.

A dança. Ele me enlaçava a cintura. Enlaçava não, agarrava. O corpo quente, macio, colado ao meu, e meu coração ele até podia sentir, e tudo nele latejava, pulsava. Mãos, mãos, braços, dedos. Nas costas, me apertando, acariciando, lábios no pescoço, roçando. Tudo lento, cuidadoso, para não nos assustar. Um calor subia e ele me segurava, senão, eu cairia. Gozado, essa sensação sempre me dá a impressão de desmaio, de falta de forças, rendição. Um coisa gostosa, e ainda não sabia e hoje se chama tesão. Deve ter sido o despertar, se bem me lembro, da temperatura, da maciez, do cheiro, da textura.
A dança no bailinho. Isso foi o que me ficou, além do beijo no portão. Ficou como uma cena de filme, nada mais.

Não, não, engano meu : partilhamos também as brincadeiras de rua. Ele fazia parte da turma. Polícia e ladrão, garrafão, bicicleta. Pêra, uva, maçã ou salada mista? Conhece essa brincadeira: um menino tampa os olhos de outro e apontando para as meninas alinhadas a sua frente, pergunta "pêra, uva, maçã ou salada mista?", querendo dizer aperto de mão, beijo no rosto, beijo na boca ou tudo isso junto? O menino de olhos vendados escolhe e tem que fazer o escolhido com a menina apontada. A brincadeira era para ser uma surpresa, mas Toninho sempre conseguia salada mista comigo. Depois me explicaram que combinava com os amigos: eles apertavam seus olhos na minha vez e ele dizia "salada mista" . Então passei a "roubar" no jogo também.
Agora lembro-me do cinema ( um drive – in ) com a família do amigo dele (namoradinho de minha irmã), e ele foi junto. Eu estava com uma febre de 40 graus, insolação depois da praia, mas coloquei o termômetro num lugar mais gelado para minha mãe não ficar alarmada e me deixar ir.
Apagaram–se da memória as mãos dadas, os outros beijos . Sei que existiram, mas não me recordo.
Nada conversávamos, nada tínhamos em comum além da pele, do tato. Diferente de você: você teve primeiro a minha alma, o coração, com sua poesia.  Aquelas poesias guardo até hoje.

Na época, ele fez o que você devia e queria ter feito. Era seu direito. Naquela época creio, você não sabia pedir. Não sabia roubar beijo. Não, não, eu que não quis ouvir!
Agora você vai fazer muito mais do que ele fez. Vai sim...

E quero pedir uma coisa : vingue-se , vingue-se! Coloca um som,  me puxa pra dançar e com raiva mal contida, me aperta, encosta seu tesão na minha barriga. Diz no meu ouvido, com essa voz rouca: "não sou mais menino, sou um homem, um lobo pronto pra te comer".
Me deixa bem molhada, quente, pra te receber. Beija-me, beija-me, e me encosta na parede e vasculha.
Bebe de mim toda a saudade. Com seus dedos, sente, percebe, como já sou sua. Como sempre fui. E diz "como te esperei", enquanto me possui.

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Néon


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